Por Antônio C. Brum

Integrantes do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre ­– COA-POA acompanharam a passagem do maçaricos-de-papo-vermelho (Calidris canutus) no nosso litoral nos dias 21 de abril e 09 de maio de 2020. Esta ave migratória utiliza o litoral do Rio Grande do Sul durante o seu retorno aos locais de reprodução, no hemisfério norte. Este acompanhamento é realizado anualmente nos meses de abril e maio e tem por objetivo a contagem dos bandos e, principalmente, o registro de aves marcadas com bandeirolas. Com essa atividade, o COA-POA soma-se à uma rede internacional de observadores voluntários que, em conjunto, geram informações importantes para a conservação da espécie, as quais permitem, por exemplo, avaliar tendências populacionais em escala hemisférica e estimar taxas de sobrevivência.

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Foto: Glayson Benke

Assim, mesmo com as restrições em razão da pandemia da COVID-19, tomadas as devidas precauções, resolvemos realizar a atividade, uma vez que, se não fosse feita, perderíamos o período migratório. Para esta atividade, restringimos a quantidade de participantes e os mesmos declararam estarem cumprindo as regras de isolamento há mais de 14 dias e que não apresentavam nenhum sintoma da doença.

No dia 21 de abril, percorremos um trecho de 140 Km entre Magistério e a barra da Lagoa do Peixe, no município de Tavares. Nesta saída foram contados 1.812 indivíduos e registrado a leitura de 20 bandeirolas: uma branca, ave anilhada no Canadá; duas azuis, aves anilhadas na Lagoa do Peixe (Brasil); quatro laranjas, aves anilhadas na Argentina, e 13 verdes, aves anilhadas nos EUA. Os dados foram reportados no site do Bandedbird (http://www.bandedbirds.org/), onde estes registros são reunidos. Portanto, foi um ótimo resultado!

Já no dia 9 de maio, não tivemos a mesma sorte. Percorremos o mesmo trecho e só encontramos um bando de seis indivíduos na praia e um bando de aproximadamente 60 indivíduos na barra da Lagoa do Peixe. Nenhuma bandeirola foi identificada. O resultado nesse dia mostra que as aves já haviam passado pelo estado em sua migração para as áreas de reprodução.

Contudo, como nem tudo são aves, na saída do dia 21 de abril causou indignação a grande quantidade de veículos que transitavam pela praia, tanto na parte da praia que está dentro do Parque Nacional da Lagoa do Peixe (PNLP), como no trecho que percorremos fora do parque. Tivemos muita dificuldade em nos aproximar dos bandos de maçaricos na área do PNLP para poder ler as bandeirolas, tal era o tráfego de veículos. Por diversas vezes, o bando que tentávamos observar foi espantado por carros transitando em alta velocidade pela praia, forçando as aves a voar. Também deparamos com intensa atividade de pescadores usando redes e varas de pesca nas praias do PNLP, especialmente próximo à barra da Lagoa do Peixe, onde diversos veículos estavam estacionados ao final da tarde.

Isso motivou a diretoria do COA-POA a enviar um ofício à gestão do parque, denunciando a situação encontrada e cobrando maior fiscalização. Também indicamos alguns caminhos possíveis para solucionar o problema e proteger as aves migratórias nesse período crítico do seu ciclo de vida.

Embora no relato anterior, tivemos excelentes resultados na saída, mas ainda não foi possível ultrapassar os resultados do ano de 2018, onde foram observados 3.333 indivíduos e lido 42 bandeirolas, sendo uma delas de cor laranja (AOK), ave anilhada em 2007, na Argentina, ou seja a ave mais antiga já avistada pelos integrantes COA-POA. Para o próximo ano temos a intenção de buscar recursos para intensificar a observação durante o período migratório e ampliar o monitoramento destas aves. O COA-POA vem realizando estes monitoramentos desde o ano de 2016, por iniciativa de um de seus sócios Sr. Gilberto Müller.

Participaram do censo no dia 21, Antônio Coimbra de Brum, Glayson Bencke, Roberto Dall’Agnol, Gilberto Müller e Jurema Josefa e do dia 09 Antônio Coimbra de Brum, Glayson Bencke e Roberto Dall’Agnol.

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Foto: Gilberto Müller

 

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Foto: Glayson Benke

 

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Foto: Glayson Bencke

 

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Foto: Roberto Dall'Agnol

Observação do maçarico-de-papo-vermelho com bandeirolas no litoral do RS

COA-POA

22 de Abril e 01 de Maio de 2018

Pelo terceiro ano seguido o grupo de estudos do maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus rufa) foi a campo para identificar indivíduos com bandeirolas e anilhas. A área de estudo incia no litoral do RS na Praia do Magistério, e extende-se até o Farol da Solidão, em Mostardas. São aproximadamente 60 km de litoral percorridos de carro em 4 a 5 horas,ou seja numa velociade média de 12 a 15km/hora.

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Foto: Gilberto Sander Muller

 

Neste ano tivemos resultados espetaculares pois batemos o recorde em:

  • quantidade de individuos avistados = 3.333 C.canutus
  • número de individuos identificados com bandeirolas ou anilhas = 43, sendo 41 com bandeirolas com códigos visíveis
  • identificamos o indivíduo marcado com bandeirola a mais tempo = o AOK Laranja (codigo de cor e letras que indicam que ele foi anilhado na Argentina em 2007).

Esta ave deve ter voado mais de 300.000km ao longo de sua vida ! Pois eles voam desde o Círculo Ártico,ao norte do Canadá, onde acasalam e procriam, e depois voam em longas escalas paara o litoral do Estados Unidos, do Brasil, até chegarem ao sul da Patagônia: mais de 12 mil quilometros de ida e outros tantos na volta.

Calidris

Viagem para o litoral gaúcho em busca do Calidris canutus (por Gilberto Sander Müller)

 

Aproveitando a folga do dia do trabalho, resolvemos dar uma esticada de poucas horas até o litoral gaúcho, para conferir a passagem dos Calidris canutus (maçarico-de-papo-vermelho) rumo ao ártico canadense. Todos os anos, essa espécie nativa do ártico voa de um polo ao outro no continente, fugindo das estações mais frias e em busca do alimento que ainda mantém a decrescente população atual.

Nosso associado Roberto Dall Agnol esteve na América do Norte e aproveitou para fazer algumas saídas para observação de aves.

Acesse >>este link<< para baixar o relatório da viagem.

Por Roberto Dall'Agnol 

Data: 15 a 30 de julho de 2014

Durante o mês de julho de 2014, constava na minha agenda uma viagem de negócios para Candeias, na Bahia (próximo a Salvador). Como este é o mês de férias escolares, resolvi programar também as férias da família e conhecer algumas reservas e parques do Nordeste, com o objetivo de observar aves endêmicas da região. Assim, planejei visitar: 

Papa-piri

Por Gilberto Müller

Data: 21 a 23 de dezembro de 2013

Busca de uma espécie específica – o papa-piri (Tachuris rubrigastra). O grupo de observadores era composto de dois associados do COA-POA – Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre.

A Lagoa do Peixe dista 250km de Porto Alegre, sendo o acesso por uma estrada de pista simples asfaltada, mas com muitas crateras e desníveis. Eu optei por fazer o pior trecho (de Palmares a Mostardas) pela praia, evitando o asfalto, e já observando os bandos presentes. 

Espinilho

Visitando o Parque Estadual do Espinilho, Barra do Quaraí, RS

Por Kleber Pinto Antunes de Oliveira e Jorge Correia Souza Neto

 

No dia 14 de fevereiro de 2014, visitamos o Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí, Rio Grande do Sul. O parque possui área de 1.617 hectares. Barra do Quaraí fica distante de Porto Alegre 700 quilômetros e possui cerca de 4 mil habitantes. Estávamos acompanhados por Ricardo Oliveira de Oliveira (primo de Kleber), residente em Uruguaiana e profundo conhecedor da região, inclusive do Parque Estadual do Espinilho. A visita fez parte de uma viagem de quatro dias até Uruguaiana e Barra do Quaraí, com um total de 11 locais visitados (incluindo dois em Barra do Quaraí e nove em Uruguaiana). Observamos ao todo 126 espécies de aves durante a viagem.