Como estava previsto pela meteorologia, o dia amanheceu com chuvas e a atividade de observação não foi realizada. 

Assim, a reunião, da qual participaram 21 pessoas, iniciou às 9 horas com o interessante relato do associado Ruben Poerschke, que contou o que viveu em 21 dias de campo no estado do Pará. Com belas imagens feitas por ele, mostrou a grande diversidade de aves existente nos fragamentos de floresta nativa que ainda restam na região visitada, a maioria delas desconhecida para nós gaúchos, com destaque para uma foto da harpia. Também deu seu testemunho dobre a impressionante alteração ambiental causada pelo homem, que substituiu enormes áreas de florestas por pastagens e lavouras. Contou também alguns aspectos da realidade social do lugar, dividido entre grandes fazendeiros, proprietários de enormes extensões de terras e pequenos agricultores, assentados em pequenos lotes agrícolas, sem nenhuma infraestrutura, que têm como única alternativa servir de mão de obra barata aos grandes latifundiários. Relatou a deficiente infraestrutura das cidades, com escolas e ruas em péssimo estado de conservação e falta de energia elétrica, comparando esta realidade com as excelentes estradas particulares dentro das fazendas, que têm também pista de pouso de aviões e diversas outras facilidades, que nas cidades não há. 

Seguiu-se a comemoração pelos 5 anos de reativação do COA em Porto Alegre, denominado desde 16/05/2009 de COA-POA, quando os presentes brindaram pela passagem deste importante marco na trajetória do COA-POA. O presidente Walter Hasenack lembrou como foi a reunião de reativação, falou de alguns momentos dessa trajetória de 5 anos e discorreu sobre planos futuros do clube. 

Uma excelente palestra com o título "Os Parques Eólicos e as Aves no Rio Grande do Sul" foi proferida pelo biólogo Jan Karel Felix Mähler Jr.  Ele apresentou um resumo da sua experiência nos estudos antes, durante e após a implantação dos parques eólicos de Osório. Por haver sido o primeiro parque eólico do Estado, mostrou como o início do monitoramento foi um momento de incerteza, pois havia somente estudos fora do Brasil. Hoje, como uma história de quase 10 anos, os dados obtidos no monitoramente destes parques eólicos pioneiros, dão subsídios para que novos empreendimentos desta natureza sejam instalados com critérios mais seguros, minimizando o impacto ambiental. Jan Karel discorreu sobre a sistemática de monitoramento de colisões de aves com os aerogeradores, relatando alguns dos resultados obtidos, assim como as espécies mais atingidas, detalhando também o comportamento de algumas delas durante o voo, ao depararem-se com os geradores. Após a apresentação seguiu-se uma longa e interessante discussão sobre as exigências de monitoramento, que ainda não são padronizadas, impedindo que dados obtidos em diferentes empreendimentos sejam comparados. Ficou clara a necessidade da Fepam unificar os critérios exigidos em diferentes empreendimentos, para que os dados obtidos nos monitoramentos possam ser comparados e daí retiradas conclusões mais confiáveis. Como estavam presentes alguns ornitólogos que atuaram em monitoramentos em outros Estados do Brasil, foi relatado também como são diferentes as exigências e os critérios dos órgão ambientais nos diferentes Estados que compõe a União. 

 


Foto:Walter Hasenack

 


Foto: Walter Hasenack

 


Foto: Walter Hasenack

 


Foto: Walter Hasenack