Enquanto em 1946 os brasileiros estavam muito ocupados em conhecer e desbravar o país, em ocupar territórios desconhecidos e explorar os recursos naturais, um birdwatcher norte-americano, chamado William Belton, era enviado a Porto Alegre como cônsul do seu país.

Observador de aves amador na sua terra natal, tornou-se amigo íntimo do Dr. Helmuth Sick, também um estrangeiro, um dos poucos homens que naquela época estudava as aves brasileiras de forma séria e sistemática, ocupando a posição de ornitólogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Belton trabalhou no consulado norte-americano em Porto Alegre até 1948 e nestes três anos se deu conta do enorme potencial que havia para a atividade de observação de aves no Brasil.

Em 1970, já aposentado, escolheu Gramado como seu lugar de residência e de lá partiu, em inúmeras expedições, para os mais diversos rincões do estado do Rio Grande do Sul.

Em 1972 ministrou o primeiro curso de extensão na Unisinos, que foi repetido em 1974 por um de seus discípulos, o biólogo Flávio Silva, auxiliado por Walter A. Voss. Ao final desse segundo curso, com os participantes acampados às margens do Rio Caí, na fazenda Chaleira Preta (hoje Pólo Petroquímico de Triunfo), surgiu a ideia de fundar um Clube de Observadores de Aves. Assim, no dia 11 de novembro de 1974, foi fundado o primeiro COA do Brasil. Walter A. Voss foi um dos presentes naquele momento, sendo um dos fundadores do COA, assumindo o cargo de primeiro secretário da primeira diretoria.

Aos poucos a notícia se espalhou e outros núcleos de observadores, também chamados COA, foram surgindo em diversos estados do Brasil. Enquanto surgiram o COA-MG, o COA-RJ, o COA-PR e tantos outros, aqui no Rio Grande do Sul o COA entrou em estado de hibernação.

Em 1984, para coordenar as atividades dos COAs regionais, foi criado o COA nacional, tendo Pedro Scherer Neto como o seu primeiro presidente. Aqui no RS, neste mesmo ano, Flávio Silva e Maria Alice Fallavena ministraram um novo curso de observação de aves no Parque Zoológico, em Sapucaia do Sul, ao final do qual o COA-RS foi reativado. Foi um período longo de atividades que se estendeu até 1996. Durante esses quase 13 anos de atividades ininterruptas, foram realizadas 72 reuniões e 56 saídas a campo. Um dos pontos altos deste período foi a excursão à Estação Ecológica do Taim em 1986, que contou com a participação de William Belton (fotos abaixo).

No interior do RS também haviam surgido alguns núcleos, mas na capital seguiu-se outro longo período de inatividade, que durou até maio de 2009, quando, por iniciativa de Diógenes Machado Borges e Glayson Bencke, foram retomadas as atividades do COA de Porto Alegre, agora sob a denominação de COA-POA. Nos últimos anos o COA-POA já proporcionou grandes oportunidades aos observadores de aves, quer seja através de excelentes palestras que foram ministradas nas dependências do Jardim Botânico, onde acontecem as reuniões, quer seja nas saídas a campo, que sempre foram o ponto alto das atividades do Clube.

Belton com o COA no TAIM, em outobro de 1986

Belton, Flávio Silva, Tânia e André Pasa tentam identificar ave marinha morta.

Grupo que participou do curso no ZOO em 1984