Por Júlia Klafke Perin
No dia 19 de setembro de 2026, as temperaturas registradas ficaram em torno de 18°C, com céu variando de nublado a chuvoso, característico do período de transição entre o inverno e a primavera no Rio Grande do Sul. Alguns associados do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre – COA-POA, juntamente com novos participantes, reuniram-se às 8h da manhã, em frente à escolinha do Parque Germânia, para dar início à Observação de Aves, primeira atividade programada para o encontro mensal do Clube.
A atividade de observação iniciou com a participação de 30 pessoas, reunindo observadores de diferentes idades e níveis de experiência. Após o término da saída de campo, alguns participantes precisaram se retirar em razão de outros compromissos, permanecendo um total de 25 pessoas nas demais atividades programadas para o encontro.

Foto 1 – Foto dos integrantes da observação de aves realizada no Jardim Germânia durante o encontro mensal do COA-POA.
Foto: Júlia Klafke Perin (2026).
Durante a observação, os participantes tiveram a oportunidade de registrar diferentes espécies de aves e compartilhar conhecimentos, informações e experiências relacionadas à avifauna urbana presente no parque. Ao longo do percurso, o grupo conseguiu registrar 40 espécies de aves, demonstrando a diversidade que pode ser encontrada mesmo em áreas verdes inseridas em ambientes altamente urbanizados.

Foto 2 – Observação de um cardeal.
Foto: Júlia Klafke Perin (2026).
Entre os momentos que chamaram a atenção do grupo esteve a observação de um Sabiá-laranjeira, que permaneceu bastante próximo dos participantes, deslocando-se pelo local enquanto o grupo realizava a atividade. Também se destacaram os avistamentos do Cardeal e do Andorinhão-do-temporal, que despertaram o interesse dos observadores e proporcionaram momentos de troca de conhecimentos sobre a identificação, o comportamento e as características das espécies registradas.

Foto 3 – Atividade de observação realizada no Parque Germânia, durante o encontro mensal do COA-POA.
Foto: Natália Cristina Strassburger (2026).
Outro aspecto marcante do encontro foi a presença de diversos novos participantes, de diferentes faixas etárias, que se juntaram aos associados do COA-POA para conhecer e participar da atividade. A chegada de novos observadores proporcionou momentos de integração entre participantes mais experientes e pessoas que estavam tendo seus primeiros contatos com a prática da observação de aves, contribuindo para a troca de experiências e para a aproximação do público com a avifauna urbana.

Foto 4 – O novo integrante do grupo utilizou o guia de aves durante a atividade de observação realizada no Parque Germânia, durante o encontro mensal do COA-POA.
Foto: Júlia Klafke Perin (2026).
Além da identificação das aves, a caminhada possibilitou discussões sobre a paisagem urbana ao redor do Parque Germânia. Os participantes observaram especialmente a presença de superfícies envidraçadas nas edificações próximas, relacionando-as aos possíveis riscos para as aves. Essa observação serviu como introdução ao tema que seria aprofundado posteriormente na palestra.
Também foram compartilhadas informações sobre as transformações da região, atualmente marcada pela intensa urbanização. A discussão destacou a importância da manutenção das áreas verdes urbanas para a conservação da biodiversidade.
Foto 5 – Paisagem urbana ao redor do Parque Germânia.
Foto: Júlia Klafke Perin (2026).
Dessa forma, a saída de campo ampliou a atividade para além da identificação de espécies, permitindo refletir sobre as relações entre aves, vegetação, arquitetura e urbanização. Após a observação, o presidente do COA-POA, Antônio Brum, conversou com o grupo sobre os principais registros da manhã, possibilitando aos participantes compartilhar observações e esclarecer dúvidas.
Na sequência, Júlia Klafke Perin, estudante de Ciências Biológicas – Licenciatura da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), proferiu a palestra “O perigo invisível: como o vidro afeta a vida das aves”.

Foto 6 – Júlia Klafke Perin durante a palestra “O perigo invisível: como o vidro afeta a vida das aves”.
Foto: Antônio Brum (2026).
Durante a apresentação, foram abordadas as colisões de aves contra superfícies de vidro, explicando como a transparência e os reflexos de árvores, vegetação e céu podem dificultar o reconhecimento dessas estruturas como barreiras.
A palestra apresentou um panorama sobre o problema e iniciativas desenvolvidas no Brasil para sua prevenção, incluindo a participação do COA-POA nas discussões junto à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a elaboração de orientações destinadas à redução das colisões. Também foram apresentados dados de pesquisas recentes sobre o tema na América Latina. Foram discutidas estratégias para tornar superfícies envidraçadas mais perceptíveis às aves e a importância de considerar essas estruturas no planejamento urbano. O conteúdo foi relacionado diretamente às edificações observadas durante a caminhada no entorno do Parque Germânia, aproximando a discussão de situações vivenciadas pelo próprio grupo.
Por fim, Júlia apresentou seu trabalho sobre colisões de aves com vidros como exemplo de investigação local, destacando a importância dos registros e das pesquisas para compreender o problema e desenvolver medidas preventivas. A atividade reforçou a integração entre observação de aves, pesquisa científica, educação ambiental e conservação da avifauna em ambientes urbanos.