Por Júlia Klafke Perin
No dia 15 de agosto de 2026, as temperaturas variaram entre mínimas de 11°C e 18°C, com o céu nublado, características típicas do inverno gaúcho. Alguns associados do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre – COA-POA reuniram-se às 8h da manhã, em frente à escolinha do Jardim Botânico, para dar início à Observação de Aves, primeira atividade programada para a reunião mensal do Clube. A atividade de observação iniciou com 15 pessoas. Após o término das observações, alguns associados precisaram se retirar em razão de outros compromissos, permanecendo um total de 14 participantes nas demais atividades programadas.

Durante a observação, os participantes tiveram a oportunidade de registrar diferentes espécies e compartilhar informações e experiências relacionadas à avifauna observada no local. Entre os destaques comentados pelo grupo estiveram o registro do Sabiá-laranjeira (Turdus rufriventris), muito comum no local e o avistamento de cinco aves de rapina, gavião-carrapateiro (Rupornis magnirostris), quiri-quiri (Falco sparverius), gavião-carijó (Rupornis magnirostris), gaviãzinho (Gampsonyx swainsonii) e o gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus). Também Chamou a atenção o registro do Pi-puí (Synallaxis cinerascens), proporcionando momentos de troca de conhecimentos entre os observadores. O momento alto da saída foi quando avistamos o gavião-de-cauda-curta sobrevoando a área do Jardim Botânico e realizando um comportamento de peneirar – quando a ave fica parada no ar – e, também, quando uma participante do grupo avistou um ninho de tapicuru (Phimosus infuscatus). No total foram registradas 29 espécies de aves, em 1h e 30min de observação, conforme lista, que pode ser acessada clicando aqui.


Durante a saída de campo, também chamou a atenção a participação do mais novo integrante do grupo (Arthur), de apenas 9 anos, que demonstrou grande interesse pelos elementos encontrados no ambiente. Durante o percurso, ele identificou e fotografou diversos líquens presentes nas árvores e em outros substratos, registrando com atenção suas observações. Embora a atividade tivesse como foco principal a observação de aves, o interesse demonstrado pelos líquens evidenciou a curiosidade e o olhar atento do jovem observador para outros componentes da biodiversidade presentes no local. As fotografias realizadas também contribuíram para ampliar os registros da saída de campo, mostrando como a observação da natureza pode despertar o interesse por diferentes formas de vida e estimular a investigação mesmo entre os participantes mais jovens.




Antes da palestra principal, o presidente Antônio Brum tomou a palavra e conversou com os participantes sobre os principais pontos e acontecimentos da observação realizada durante a manhã. Os associados compartilharam suas observações, destacando as espécies identificadas e as situações que chamaram a atenção durante a atividade. Enquanto os participantes se organizavam para a palestra, também foram retomados alguns dos registros realizados durante a saída de campo. Em seguida, Jonas A. Boesel, professor de biologia formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, em Biologia – Licenciatura, e professor do Centro Municipal de Educação Ambiental Nestor Weiler, de Campo Bom – RS, proferiu a palestra principal sob o título: “Observação de aves na mata ciliar dos arroios na zona urbana como possibilidade de conservação da vida silvestre na cidade”.

Durante sua apresentação, Jonas detalhou o trabalho que vem desenvolvendo com crianças a partir da educação ambiental e da observação da avifauna presente em ambientes urbanos. O professor apresentou as metodologias utilizadas nos projetos, destacando a realização de percursos metodológicos e saídas de campo como estratégias para aproximar os estudantes do ambiente natural e possibilitar uma aprendizagem baseada na observação direta.
Entre as atividades desenvolvidas, foram apresentadas práticas voltadas ao desenvolvimento de habilidades de identificação das aves, considerando características morfológicas, comportamentais e aspectos relacionados ao ambiente em que são encontradas. Também foram abordadas atividades de observação e registro de aves migratórias, permitindo que os estudantes acompanhem a presença e a ocorrência das espécies ao longo do tempo.
Outro aspecto destacado foi o registro e a coleta de vestígios encontrados durante as atividades de campo. A partir dessas evidências, os estudantes podem ampliar sua percepção sobre a presença da fauna nos espaços urbanos, observando não apenas as aves diretamente, mas também os sinais deixados por elas e sua relação com o ambiente.
A palestra também evidenciou a importância das matas ciliares associadas aos arroios urbanos como espaços que podem contribuir para a conservação da vida silvestre dentro das cidades. Esses ambientes podem funcionar como áreas de abrigo, alimentação, deslocamento e reprodução para diferentes espécies, tornando-se importantes para a manutenção da biodiversidade mesmo em áreas urbanizadas.
A proposta apresentada reforçou ainda o papel da educação ambiental na formação de uma percepção mais atenta sobre a fauna e a vegetação presentes nos espaços urbanos. Por meio das saídas de campo, da observação sistemática, dos registros e da identificação das espécies, os estudantes são estimulados a desenvolver uma relação mais próxima com o ambiente em que vivem, reconhecendo a importância da conservação dos espaços naturais existentes dentro e no entorno das cidades.

O Prof. Jonas durante a palestra na escolinha (auditório) do Jardim Botânico. Foto: Antônio.
Após a apresentação, os participantes puderam conversar sobre os assuntos abordados, compartilhando impressões e experiências relacionadas à observação de aves, à educação ambiental e à conservação da fauna em ambientes urbanos.
A reunião mensal do COA-POA proporcionou, dessa forma, um momento de integração entre os associados, unindo a prática da observação de aves à discussão sobre educação ambiental e conservação da biodiversidade. A atividade também destacou a importância de iniciativas que aproximem crianças e comunidades dos ambientes naturais urbanos, utilizando a observação da avifauna como ferramenta de sensibilização e conhecimento sobre a vida silvestre.
A reunião foi encerrada após as atividades programadas, com a participação dos associados presentes.